20.10.10

tu

Uma floresta, um mato, um campo e eu.
Sou jovem e tu também. Corremos livres pelo passado que nunca existiu, ouvimos a água que não corria e o pássaro que não cantava. Dançamos ao ritmo da brisa sem vento e beijamos lábios perdidos com sorrisos que nunca surgiram.
Estou-te a amar em casa desenrolar, estou-te a desejar a cada passo que estavas a dar. a tua mão larga-me e tu desapareces, o medo vem e o grito de um sonho mau surge e obriga-me a encarar a realidade.
Umas mãos envelhecidas acalmam o meu rosto, uma voz perdida aconchega-me a mente e os meus olhos procuram aquele estranho humano a meu lado, com os caracóis já brancos, com os lábios sem cor. Então os seus olhos encontram os meus e eu vejo nele o que via em ti, vi nele o sorriso, um pouco envelhecido, que existia em ti. Então percebi, voltei a colocar a cara no seu peito, a dar a minha mão, também enrugada, na sua. Deixei ele limpar a lágrima que caiu e suspirei o cheiro que gostava à tanto tempo… dove.

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