Estou deitada na nossa cama, as almofadas estão postas da maneira que deixas-te antes de partir, a moldura continua caída no chão, os cortinados continuam presos nos lados, apesar de nunca ter gostado de os ver assim. O pó dos móveis é notável e pela janela já não entra a luz do sol, mas é visível as gotículas de água seca. Na janela por cima da cama, já não se vê o céu, porque não retirei o ninho de pardais que lá habitou.
Pretendo deixar tudo como deixas-te, não vou mudar nada, nem mover nada. Apenas vou entrar com a esperança, que um dia, voltes a estar deitado sobre a cama. Entrar e ver-te sacudir o cabelo antes de te encaixares entre o lençol e o colchão, ver-te à espera que me deite a teu lado, com a promessa que estarei atenta a cada falha do teu coração.
Vou entrar pela porta, sentar-me no tapete azul, olhar de novo a cama e relembrar o teu sorriso, o teu abraço… vou entrar e fechar os olhos, porque quando fechava os olhos tudo se tornava belo, com o som do teu peito, as tuas festas no meu cabelo e a tua melodia ao som de Bob Marley.
Porque, ali, parados, éramos tão egoístas que deixávamos o mundo para trás. Porque aos poucos, os nossos momentos foram construídos no silêncio. Porque, como se diz, “quem ama, cala!”

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