11.12.10

segue...

Ela senta-se, enlouquecida pelo seu tempo e iludida pelo amor. Observa os velhotes que passam de mão dada e que transportam o amor de anos e a sabedoria das desilusões instalada mesmo debaixo dos olhos rasgados.
Inspira a pureza do parque e procura, nos que passam, a felicidade que, ela crê, nunca ter encontrado. Tenta ser alguém e inveja tudo o que nunca teve e que ela sempre sonhou alcançar.
Ela, ali, está sozinha.
O vento passa-lhe e com ele leva os anos, leva a juventude de um sonho por procurar, as folhas de Outono e a vontade de continuar a passear. Leva-lhe os segredos que mentalmente contou, as memórias que jamais apagou e as desilusões que criou. O vento, naquele parque, levou-lhe tudo.
Então com os cabelos morenos a esvoaçarem, ela levanta-se. Sorri por o sol ter brilhado e os olhos fecham-se para ouvir a magia, que ela acredita haver neste mundo mórbido. E depois dá os primeiros passos e aprende a caminhar, sozinha, na vida.

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