As feridas que tenho vão agora sarando e fechando com o tempo e já consigo retirar boas memorias de todo este pesadelo.
Estou deitada sobre o teu peito, com a cara virada para o sol, as mangas arregaçadas enquanto o teu dedo percorre os cortes do meu pulso com um leve passar. Como é normal, no âmbito da nossa relação, o silêncio é o principal e a única barreira não ultrapassada por nós.
Por cima, os pássaros cantam de diferentes formas e tornam a chegada da primavera mais robusta e na minha estação preferida de todo o ano. Ao longe passam carros, e para mim, o mundo numa realidade do qual prefiro estar afastada.
Voltei a ser Alice.
Voltas-te sem certezas mas estas aqui, o teu beijo voltou para me preencher deste vazio ilimitado, a tua respiração voltou para junto do meu ouvido. Sinto que o teu abraço está mais apertado que nunca, que a tua alma está desejosa de encontrar o território já antes conquistado.
Estou feliz mas não numa faceta demonstrável, mas sinto-me bem num sentimento de realização ao ver que sou amada e exclusiva da tua pessoa. Talvez seja um novo momento de ilusão, conseguiste agarrar-me novamente e revelar toda a minha fraqueza. Talvez não, quem sabe tenha sido eu própria a prender-me a ti, mas o que interresa ?
Tenho a impressão ,que contigo, estou a voltar a cair no buraco. Que te vais tornar naquela obsessão e loucura do qual não vou, nem quererei, sair. E cá estou eu novamente. A seguir o coelho branco a que chamo felicidade, a cair no abismo, a tomar chá com a loucura e a andar perdida por labirintos de flores.

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