Gostava de ser como tu, pequenina e a saltar pelo passeio. Ficar feliz só de receber um balão, de não ligar as discussões dos papás, que hoje são sobre nós. Gostaria de dizer que amo borboletas, que não gosto mais da bolacha preferida, que quando for grande irei ser pianista como a mamã.
És tão perfeitinha, não tens vergonha das cores do teu vestuário, possuis brilho nos olhos e sorriso nos lábios. Mal sabes viver, mas vives. Tão amada e pouco te importa se tas esquecida, se serás ou não relembrada, apenas te queres esconder no armário e esperar que alguém te encontre em mil sorrisos.
O teu quarto ainda possui os palhaços na parede e não és bonecas cheias de sangue que pendurei, a tua cama ainda é aquela que adorávamos e percorríamos com o dedinho os espaços da cabeceira imaginando ser um caminho desconhecido onde retomavas. Hoje a cama é de meio corpo, não possui cabeceira e um colchão simplesmente. O armário já não tem a tua roupinha pequenina onde o casaco azul-bebé seria o mais usado, mas ta cheio de roupa preta e camisa de padrão idêntico pendurado.
Posso te dizer que o nosso maninho cresceu. Que estou tão desesperada que, neste momento recordo-me de mim e do simples que fui. Que era livre e que, hoje, decidi ser dependente por me ter apaixonado. Amor? Nem quando era como tu acreditei, pois não? Mas somos tolas porque desejamos e sei que o teu maior sonho é seres princesa, teres uma casinha como a branca de neve. Porque a tua vida é igual á de Alice. E vais entender que é perfeito esse pesadelo, quando espreitares para a vida real e veres que nada tem cor, são telas falsas pintadas a guache que a chuva borrou.
E vais-te continuar a esconder no armário, que hoje, tem portas de correr e vais-te esconder, sentir-te segura, vais chorar e depois sorrir. Porque alguém, bem-amado por ti, vai te mostrar que tu ainda existe dentro de mim. E que Alice, só foi feliz quando descobriu que o pesadelo era o pais das maravilhas. E que a loucura é um modo de vida, que o tempo não pára e terás de correr, que a festa acaba, que as borboletas são pistas e que no fim, o que importa, não é ele. Mas sim tu.
Fica bem pintainha…
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