E o mundo cai, nessa pressa sem fim de chegar à morte. A morte, amor. Essa
que me sussurra ao ouvido que a queda é maior que a vida, a perda, o orgulho, o
sufoco de uma voz que não sabe falar.
Há esferas no olhar de quem cai, há uma distância infinita entre a alma
e o corpo. Há amor. Tanto amor, que nos percorre as veias em segundos impróprios
aos normais, há a queda de não se puder amar mais do que se ama.
Foge-se. Simplesmente foge-se. Dos sonhos, da casa, dos filhos, do
futuro, de mim… de ti.
E quando não se pensa em nascer, pensa-se em morrer. E a morte sussurra que
nada vale o esforço e a dor… e eu amor? Eu sinto tanta dor, quando a vejo
sorrir perdida na ilusão, perdida nos sonhos trapaceiros que a enganam e nos
fazem ver que quem vê, quem ama, morre. E eu morro nela, um pouco a cada
segundo, em cada ruga do rosto, em cada cicatriz do corpo. E sorriu também,
porque o seu riso não mudou e a loucura trouxe-lhe uma certeza leveza. Abençoada
seja, ela e todo o amor que me deu, ela e todos os sonhos pelo qual me fez
lutar.
E foge-se, para não morrer-se mais.
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