Esqueci-me. Na memória dos loucos há sempre um cheiro que fica ao acordar, a memória de uma casa de paredes gastas e com ranhuras sem fim. Dizias-me que o amor era gasto e que o perdão nunca vem só. Talvez não me perdoei pelas ranhuras que fiz no tempo, nas vastidão da minha infância que se apaga aos poucos e existe um tremor.
Existe sempre um tremor do medo do mundo, de esquecer as cores. Existem cores, em tons de nulo e vida que deixei passar com o tempo e com o amor.
Sentia nos dedos, bem na superfície da minha impressão digital que o amor existia na superfície do mundo.
Que tinha tons de cores vivas que sempre quis viver e nunca vivi. Fechei olhos a tudo o que o tempo me permitiu fechar. Esqueci o amor.
Tenho cores de medos que às vezes não sinto. Tenho cores de sonhos, quando saio das portas daquilo que devia ser só meu. Mas não é. Há cores de mundos que não tive. Afinal não temos nada.
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