Sinto-me num mar sem fim neste chão. Há buracos de madeira no teto e asas de borboleta a nascer-me dos dedos.
Dizem que os loucos nascem sós. Que o mar se perde em túmulos profundos e que afinal, não toco melodias de piano nem sou bailarina.
Que o extinto não é acabado. E que a razão não é amor.
Não me conheço no teu espelho. Ainda agora me sabia ser e agora em mim me perco.
És poema sem poetisa e certamente a morte do artista.
És o Brasil sem revolução e Portugal sem o cravo na espingarda.
Somos o assalto aos cemitérios para incomodar os mortos na sua loucura de viver.
Parece chão este teu ar. O teu peito é saído de pequenas caixinhas de melodia avariadas e eu corda de violão partido.
Somos o uníssono dos que gritam sem nada escutar. O grito dos mudos.
Os acordes básicos da minha
vida que em nada se conecta.
Ah porra. O mar e o sol nas estrelas cegas pelo ódio que vivemos ao nos amar.
Caramba. Como ela ria. Lembraste-te? De como ela ria? De como a víamos falar do mundo com dó de só quem sente amor. De quem só tem amor. De quem era amor. Amor? Lembraste da minha mãe? Era uma flor.
Era a poesia dos vivos em tons de azul e roxo. Era uma hortense. A flor que sobrevive no meu jardim sem fim. Esta tatuagem que só o mar cura ao me afogar
12.9.18
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