29.4.19

Alegóricos

Compasso a cada passo que a perna troca as voltas. Senti na espinha o pesar da morte que carrego por detrás do rosto. Talvez o tempo frio não fosse mais nada do que a eminência do pânico em viver mais um dia.
Tens ossos de papel quando toco... Quem sabe a manhã quente, faça-te ficar junto ao muro, a apanhar os raios de luz no rosto como se te fossem salvar a alma. Quem sabe não fosse uma forma irónica de salvares as mágoas do teu peito cansado.
Compasso a cada passo que me troco nas voltas e enrolo as pernas no teu corpo. Quem sabe assim não tenha mais um coração de papel e os raios de luz que apanho a ver o Jasmim e a fumar mais um cigarro guardem um pouco da morte que trago.
Quem sabe não seja apenas só um corpo alegórico aos preliminares da vida que dão alguma cedência para sobreviver.
Volta quando quiseres carochinha.

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