2.3.21

Elisa

O amor nasce nas mais curiosas formas. Ensinaste que o amor não tem tamanho, não tem hora, não tem sequer um tempinho no espaço. Ensinaste que afinal nem se definia num conjunto de palavras, e ainda mais dificilmente, nem numa palavra só.
Essa coisa torta que nos surgiu pelos dedos, tem cheiro a água de rosas e verniz por secar.
Quem diria, carochinha? Que o amor peca porque o sentimos tarde, nos tempos mortos da vida. No formato do nosso riso ou do caminho que vamos construindo. 
Amor bonito sempre foi o teu. Sem usar a palavra, esteve sempre presente no gesto, no ato e na lembrança. 
Escondido por entre as tuas dores, pelo teu riso. Senti amor nos mais diferentes formatos vó. Senti pelo teu cuidar do jardim e pelos dedinhos pequenos do mano quando nasceu. Pelo dançar do pai na cozinha. Pela forma que todos fomos crescendo ao tentar não definhar.
Morreu amores para se reconstruir almas. 
Mas nunca morreu o nosso, vó. E era tão bonito no mudo da palavra. 

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