25.11.21

18 de novembro

Oi pequena. 
Venho por aqui deixar mais uma carta e admitir que tenho sido ingrata. 
Não me tenho sentido eu por cá, não me tenho abraçado e escutado nos silêncios que a noite me dá. Não tenho aproveitado, para conversar contigo acerca dos prazeres que o amor me trazia e me faziam correr nas veias como se fosse a última coisa que me fizesse respirar. 
Não sei se cresci, vó.
Como tens estado? Ainda te ris aí como te rias cá? Aprendeste a gerir a vida assim, pelo riso. Tens dado amor? As tuas unhas ainda são rosa e as tuas mãos com sardas? Usas o teu vestido cinzento e os sapatos de dançar? E o cabelo? Deixaste ficar branco ou voltaste a pintar?
Eu por cá, tento rir vó. Não conto a ninguém que na noite, choro um pouquinho sozinha como se a vida fosse uma melodia de bossa nova que ora dançamos e ora choramos com ela. Não sei se te faz feliz ter deixado crescer o cabelo e que tenha seguidos os estudos. Não sei se atinjo a mestria de saber dar amor como quem doa a alma. 
Mantenho os medos no peito pequenino, que ele continua pequenino vó. E que saudades ele tem de um amor bonito, num dia de sol onde só as rosas do jardim importavam cuidar. 

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