15.4.11

doce ou salgado?

Faz umas quantas perguntas básicas, caminhando debaixo do meu braço, sorrindo e mostrando a covinha que se forma em apenas uma das bochechas  toda preenchida de sardas.
Tem a sua forma de ser engraçada, um estilo punk sem muita rebeldia, uns olhos castanhos e o cabelo curto pintado de uma cor que ainda não soube decifrar. Tenta aos poucos retirar de mim as palavras que tenho e descobrir se continuas preso em mim, ilude-se e engana-se com as minhas mentiras enquanto te observo a uns poucos passos de distância onde os teus olhos são a acusação de um julgamento ainda mal começado.
Ela está atenta.
Do outro lado da mesa, onde apenas a mesinha meio verde nos separa, está a minha melhor amiga. Com a pele morena e um sorriso radiante mostra-me o apoio quando se percebe que a dor voltou para comandar a demência do meu corpo. E assim sobrevivo.
Poderei, ainda, não ter atravessado todos os caminhos para chegar até ti. Mas sinto já não precisar de o fazer, de o realizar ou de me levantar e caminhar mesmo que curta, seja a sua distância.
Agora pergunto-me, como se poderá conhecer uma pessoa apenas colocando a questão:
“ doce ou salgado?”

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