30.5.11

castelo de cartas

Castelos de cartas este onde moro. Cama de papel onde me deito e desfaço em lágrimas que não deixam os meus olhos fecharem-se e a culpa pesa-me o corpo.
Fachadas de ar que me dividem da morte, sangue meu que o cerca em volta das muralhas feitas do nada.
Masmorras onde te prendo e me condeno, numa liberdade minha, possuída nessa alma tua. Prisão de tinta, soldados de copas que me guardam e protegem das tuas cartadas bem jogadas. Tens o A no baralho e o truque na manga.
Castelo de cartas este onde durmo e que se destrói com a dor do vento. Palavras soltas de vitória e conquista, gritos de quem perde amor ao jogo…
E assim, vence o vencedor. Cartadas tuas são mais pura dor. Inimiga de mim, minhas jogadas. Onde se destrói a mais frágil casa.
Vai-se então perdendo toda a jogada, apostas dadas prometendo a vida e quem conquista joga baixinho, guardando no fim a grande cartada.
Castelo de cartas este onde te amo. Destreza tua esta quando entras, cama onde te deitas e me agarras e desta forma, numa jogada mal colocada. Castelo de cartas feito de nada onde fiz de ti o vencedor.

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