É noite, sinto o vazio rodear-me o peito. Cada espaço desocupado que teima em não querer encaixar lá ninguém. Como uma história indeterminada, folhas em branco cheia de textos sem ponto final, incompletas e sem previsão de um fim. Sem esperança de um fim.
No entanto chegas, vens com essa tua alma preenchida de nada onde queres dar justificação ao teu espaço mal ocupado e queres-me ensinar aquilo que não aprendeste. Nada sabes e no nada vivemos, e poderei dizer que no nada crio amor, crio sentimentos como quem cria pelas mãos os sonhos. Esses que tem um objectivo sem sabermos por onde irá parar ou se a nossa luta o levará a conquistar.
E desta forma te amo, no nada. Sem o nada saber, sem o nada alcançar e sem o nada pretender.
E posso dizer que a tua voz é vento, noites em que me ocupas o peito e em vontades me enches de tudo e rodeias-me a alma em preenchimentos passageiros, onde estas ele se enche e onde te vais ele se esvazia. És o batimento do meu coração, fogo sem oxigénio. E no nada dás-me o tudo. Simples?

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