20.6.11

honestamente:

Roubei-te. Como quem rouba não merece nem mil anos de perdão, a minha alma não me perdoa.

Filosofias básicas da vida que nos ensinam, ensinamentos que nos dão para sobrevive, palavras para aprender a falar e a expressar, que hoje de nada nos servem para dizer “ quero partir”. Tenho sonhos que ate hoje ninguém me ensinou a realizar, tenho dores que ate hoje ninguém curou ou descobriu. Filosofias debatidas em ponto de vistas alternativos que não nos deram soluções.

Lembras-te? Já fomos assim, simples, mentes ocas e focadas na sobrevivência do desejo vivido em nós. Onde as tuas teorias nunca foram partilhadas porque não queria saber quem eras, queria-te, simplesmente como te via.

Normalmente exijo tudo, os pontos de vista, conhecer a mente do meu novo abraço. Mas tu, foste a diferença do que sou, nunca sei quem és, nunca soube e nunca saberei. Poderia dizer, escrever aliás o que me prendeu a ti. E creio ter sido o vazio, não teres sonhos, esperanças, não possuíres nada sabes? Eras o nada, sem ambições, sem amores, vida própria, sem nada.

E quando possui o tudo, não me senti bem.

Já perdi os adjectivos daquilo que fomos, já choro sem dor, já não amo sequer. Outra coisa que não nos ensinam é a amar e eu, bem, não tive das minhas melhores aulas. Foste uma lição com um sumário nunca dado.

E depois digo o que aprendi contigo usando frases hipócritas e filosofias desconhecidas, aprendi a tornar-me cobarde a fugir, a ser vazia. Tornei-me o nada.

E digo o que me ensinas-te: “ todas as feridas fecham, isto passa”; “ amor, nada dura”; “eu gostei mas não havia nada”

Bem, ou a melhor, essa que derrubou todas as aulas, que me enganou e enfeitiçou ao longo deste tempo todo, acreditando que o vazio que me tornaras era na tentativa de sermos as ditas alma gémeas, que também esquecem-se de nos ensinar, que não existe.

Essa estúpida frase que alterou os meus mandamentos sobre tudo: “ fomos feitos um para o outro”

E nem Shakespeare escrevia algo tão aldrabado. Porque todos sabem que as feridas deixam cicatrizes e não desaparecem, que durar é possível quando todos os segundos são gravados, que o nada torna-se tudo quando o tudo é nada.

E por ti, digo e culpo-te por ter de dize-lo: “quero partir sem nada, sem ti. Levar a mala vazia, sem roupa, tornar-me suja, andar a chuva, queimada pelo sol, viajar a pé. Quero perder-me, quero encontrar-me a mim.”

Quero encontrar-me, aprender com a vida porque, são todos ignorantes. Esqueceram-se todos de quem eram. E esqueci-me de mim.

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