Sabes? Eu não. Obvio que não sei quem sou, perdi-me quando ia em busca de ti, quando pelo meio encontrei almas preenchidas que me fizeram viva neste caminho que me matava.
Hoje, enquanto te aproximavas e beijaste-me ao dizer “vou-te fazer feliz”, o meu beijo não te correspondeu porque…deixei-me para trás, creio que me perdi a meio do caminho, a meio do deserto, a meio das cores da alma de quem me fez viver e relembrar que há felizes para sempre. E não te correspondi porque tinha o corpo pesado, porque não tive aquele desejo, porque não te quis saltar para o colo nem tive as ditas borboletas que me invadiam a barriga cada vez que te via aproximar, com o cigarro na mão, os caracóis que queria puxar, o corpo que achava ser um sonho. Tudo isso pareceu-me ser um filme, onde crias apenas afecto pela personagem mas não tens qualquer sentimento. E aquele peso da cabeça eram questões, era certezas que a teu lado a minha dita felicidade seria mais do que relativa. Nunca foste um príncipe perfeito.
Portanto, hoje despeço-me, olhando as memorias que guardei, o presente que me deste, as fotos que tenho em que nunca estamos juntos. O teu sorriso será guardado com ternura, o teu gosto e as tuas mãos rudes farão parte de uma parte que abandonei. Poderei dizer que és como uma mochila pela qual fui perdendo os objectos e quando cheguei estava vazia, só faltava mesmo deixar a mochila.
Perfeito…nunca fomos. Por isso, não digas que estou distante, nunca percorreste o mundo por mim, nunca te esforçaste, nunca amaste. E eu, bem, estou cansada. Por isso, vou-te dar um beijo leve, mostrar-te que já não há desejo nos meus olhos, mas sim, cansaço. Vou-te abraçar, para dizer que finalmente cheguei. Vou-me deitar a teu lado para sonhares e despedir-me de ti, porque hoje vi, que eras afinal, a princesa em apuros que esperava o salvamento.
E com isto, respondi a todas as questões. Quero paz. Voltar a casa.
fim
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