Existiu vida nas sepulturas onde gravo, num pedaço de pedra cinza, a morte do nosso amor. Existiu duas almas pendentes a um só coração que deixou de bater. Um coração pouco resistente e que cedeu ao nosso desistir.
Cemitério de lágrimas onde vagueiam amantes, caminham vivos e mortos vestidos da nudez do vento. Onde se enterrou passados recheados de memórias.
Morte, algo que o vento preenche com o chamamento do que foi e que acalma o que fica. Onde a roupa preencherá a falta do perfume, onde o beijo será doado pela loucura. Morte certa, vida não. Onde os vivos possuem a morte e onde mortos possuem a vida.
Pedaço incompleto apodrecido. Negro vestido sobre a pele, rumo ao único sitio que conhecemos e o destino é o fim. E o fim serás tu.
Coração destruído, pedaço abandonado e memórias colocadas num buraco fundo, feito na terra, juntamente com o amor. E todas as noites vagueiam amantes, desencontrados e a gritar como um sopro de vento desesperado.
No cemitério adormecido há vida e morte. Vida que morreu e morte que viveu. E sobre nós coloco flores e uma lágrima.
Descansa em paz…
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