Por onde olhas, sou o sentimento sem dúvida destacado, sou a confusão que milhares de almas possuem. Sou a dor porque me alojei lá, porque hoje olho-te de mão dada com alguém e penso: sim, também a ti, perdi. Sim também os teus sonhos, outrora construídos a meu lado foram devastados. Sim também eu te amei e larguei tudo por possuir um, único sonho, amar aquele que jamais me amará.
E hoje virei morcego, sugando a vida da noite, repugnando o meu adorado brilhar do sol que é o único que me queima a pele e me faz sentir viva, quente e um pouco confortável. Porém suguei as ditas almas da noite, viajei perante os sonhos que não alcancei enquanto alguém me arrasta pelos caminhos obscuros da vida mostrando-me os enganos e as tristezas do qual me escondo durante a noite, porque o sol traiu-me e decidiu torna-las visível.
E agarro-me ao meu sonho impossível, pelo qual corro atrás e desejo ver o que, sei, que não possui. Algo que reparei, serem futuros como os teus. Exacto, os meus ditos impossíveis e os teus ditos alcançáveis, unicamente, a meu lado. E é inveja, este monstrinho que se alojou aqui, bem, ao lado das nossas memórias. Bem ao lado dos teus lindos sonhos, que na verdade guardei numa gavetinha, ao lado dos teus olhos tom de caramelo que me fascinaram para uma luta egoísta contra as leis da minha própria vida.
E cá estou eu, adormecida nestes lençóis confortáveis que me sufocam, nesta almofada repleta de mentiras que me tornam, incansavelmente, feliz. Bela noite de verão, onde corro atrás de sonhos enquanto outra parte de mim diz-me que estou a correr atrás de um erro.
Agora, perante mim. Perante a minha loucura pouco saudável, fecho os olhos em frente ao sol, entro no meu país das maravilhas onde, também tu, tornas-te personagem. Perdoa-me, mas ficaste como o gatinho branco que espera Alice, enquanto esta cai pelo abismo.
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