18.8.11

relato:

Lembro-me claramente de cada palavra, de cada detalhe do teu rosto, do trejeito surgido nos teus lábios. Recordo-me vivamente de cada segundo, de cada cena, de cada parágrafo. Sei quais foram os sentimentos, sei qual foi a sensação. Sei tudo, mas não sei de mim.
Lamentavelmente perdi-me. Lamentavelmente não te posso dar perdão porque não sei como se perdoa, não sei o que sinto, não sei quem sou mas vejo que não sou o que fui. E lamentavelmente não quero o passado, não quero as memórias, não quero olhar novamente e ver a esperança que sentes e eu não consigo sentir.
Parti, lavei a alma, esqueci a dor e não podes julgar. Não podes julgar porque sou como o vento, sigo em frente e mentalizei-me tanto disso que fiz disso o nosso futuro.
E vou te guardar bem num canto do peito, como guardei ele, como guardei a nós. Vou partir e nada te digo a partir daqui. Apenas sei que as minhas respostas são questões novamente, que voltei a fechar tudo a cadeado, que jurei não me cruzar com a dor. Voltei a te colocar do outro lado do muro, preciso de estar deste lado por agora, preciso novamente de me descobrir, de me conhecer. Preciso viver como vivi e não naquilo que as pessoas me fizeram.
Virei banal, amei tanto que me esqueci de olhar em redor, que me esqueci se era dor ou desilusão, se era mentira o que jurava, se era o futuro que sonhava ou se era o futuro que criei para lá colocar-te.
Desculpa, as vezes é preciso ruir para dar lugar a coisas melhores.

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