Quantidades absurdas de mentiras que despejo em mim, são toneladas de gritos e soluços que empurro para não impedirem que tente alcançar a minha felicidade, são pedras da calçada desniveladas na esperança que me esbarre no chão e volte a dizer, como se basta-se, que todo o sofrimento que me causas te está ainda em feridas recentes e nunca cicatrizadas.
Mas eu cá vou sorrindo, enquanto posso e enquanto sou mais forte que esta dor. Vou passar por ti e mentir dizendo mil vezes a única deixa que sei dizer: “esqueci-te”. O meu medo será, sem dúvida, vir a amar-te toda a vida, sem encontrar escapatória para quando a vida me mete entre ti e a parede.
O meu medo é, continuar a adormecer com o teu cheiro sempre preservado e acumulado na minha pele todos estes anos como se nada na vida existisse para o retirar. O meu medo é depender da tua voz para adormecer porque não tenho conseguido e as olheiras aumentam numa luta entre o fechar de olhos e o não querer.
O meu medo é viver sempre na tua sombra, na tua escuridão como se a luz já de nada fosse precisa. O meu medo é amar-te mais do que devia viver, é esquecer-me do que sou por não ser nada sem ti. O meu medo é perder-te de uma forma em que a tua imagem seja esquecida de uma forma que quero. O meu medo é não amar porque não aprendi a deixar-te de amar.
O meu medo é voltar para ti, para um nós só meu, para um tu só teu e assim continuar. Porque é que não desistes, e assim me deixavas adormecer uma vez com outro alguém mais honesto? Deixa-me adormecer comigo, já são pesadelos á anos demais.

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