7.1.12

alma nas mãos:

“Atirei-me contra a cama, descalcei as botas da tropa sem sair da zona horizontal, troquei a roupa e fiz um totó no cimo da cabeça. Não quis pensar, sequer, na figura idiota que poderia estar a fazer. A exaustão chegou a um ponto catastrófico em que os dias nem dão para raciocinar e pareço trazer nas mãos, o peso da minha alma.
Ando cuidadosamente, de passo acelerado sem querer deixar cair o pouco que me resta. Vejo mil imagens, mil afazeres, lembranças, deveres, culpas, erros, orgulhos e afins que me vão sugando as minhas deliberações interiores.
Lembrei-me então de ti, desse meu pedaço enorme e inscrito numa parte que preferia recortar e deitar fora. Dirigi-me, numa distância de dois passos, ao ecrã e teclado aonde num gesto lento, liguei e escrevi novamente para ti”:
Não me lembro das verdades tao aldrabadas que me contavas, exaustivas, ao ouvido. Num zumbido arrebatador de dores e alegria, numa mistura de passos confusos por estradas tortas que percorriam os nossos corpos em amores que não conheço. E disto escrevi prosas, poesias de coisas sem sentido, talvez, por não entender que linguagem, encantadora, falavas. Entreguei-me ao encanto sobrenatural dessa tua mentira robusta e transcrita das mãos.
Lavei-me da alma antiga para me entregar ao desgosto das fugidas tristes pelas noites, onde de joelhos implorava a esse teu ser, sabe deus o que. Mas não foi por isso que caiu o carmo e a trindade apenas as dignidades que possuí num adeus habitual entre nós.

Sem comentários:

Enviar um comentário

cenas: