Vi-te a carregar os medos, mãe.
Enquanto eu corria em direcção ao mundo, enquanto virava nas esquinas e acenava ao povo. Vi-te carregar os medos e nada me disseste.
Não me avisaste que o mundo, ás vezes, é feio, mãe. Que tem muitas pedras das calçadas soltas nas quais tropeçamos, que as pessoas desaparecem e não voltam, que a luta nem sempre trás grandes conquistas.
Não me contaste, mãe.
Deixaste-me cair e limpaste-me as feridas, deixaste-me ver o mundo ficar feio e esconder-me nos teus braços.
Sorriste-me sempre, mãe. E fui vencendo. Devagarinho.
E fui correndo, enquanto, lá do longe, acenavas. E carregavas os medos.
Carregavas os medos, mãe. E a ninguem contavas.
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