14.8.12

auto-descrição.




Pousaste as mãos sobre o rosto, num gesto cansado e abanaste a casa num gesto brusco contra o sofá…

Viraste gente, entre o povo. Alguém que nem conheces, fatigada do mundo, que passa na rua ao lado da tua vida. Perdeste a fé, no recantos do nada e viste ir, partir daqui os que não aguentavam ficar.

Mesmo assim, permaneceste… nenhuma sabe porquê. Somos quem somos, sem nada ser. Perdições únicas de palavras e escritas divagadas entre uma vida sem nexo, caminhando em silêncio pelas memórias e fazendo esguia aos que se futuram…



Sabes quem fomos? Sorris, nesse nosso sorriso sarcástico. Nessa nossa forma rude de viver e orgulhosa mesmo estando a perder… aliás nunca ganhámos nada, o futuro foi-se com ele, ficaram os poemas e os silêncios agora singulares.

Pergunto-lhe “estas bem?” e dou a resposta que antes iria ouvir e oiço a resposta que ele me dá no depois.

Sabes quem somos? Sorris… maldito seja o nosso sarcasmo.


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