Pousaste as mãos sobre o rosto, num gesto cansado e abanaste a casa num
gesto brusco contra o sofá…
Viraste gente, entre o povo. Alguém que nem conheces, fatigada do mundo,
que passa na rua ao lado da tua vida. Perdeste a fé, no recantos do nada e
viste ir, partir daqui os que não aguentavam ficar.
Mesmo assim, permaneceste… nenhuma sabe porquê. Somos quem somos, sem nada
ser. Perdições únicas de palavras e escritas divagadas entre uma vida sem nexo,
caminhando em silêncio pelas memórias e fazendo esguia aos que se futuram…
Sabes quem fomos? Sorris, nesse nosso sorriso sarcástico. Nessa nossa forma
rude de viver e orgulhosa mesmo estando a perder… aliás nunca ganhámos nada, o
futuro foi-se com ele, ficaram os poemas e os silêncios agora singulares.
Pergunto-lhe “estas bem?” e dou a resposta que antes iria ouvir e oiço a
resposta que ele me dá no depois.
Sabes quem somos? Sorris… maldito seja o nosso sarcasmo.

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