14.4.14

Vida:

Senta-te. Nada é fácil, sabes? Eu encontro-me todos os dias, pequena, no seu olhar. Sempre pequena. E há sempre aquela tendência mortífera e sentimental que nasce em mim, aquela em que não sei mais se ela sabe aquilo que é.
Ora, vejamos bem, eu não sei aquilo que sou e ela? Talvez agora se tenha perdido de vez.  Enquanto nós apenas nos perdemos aos poucos, um momento insensato aqui, um bocado ali. Vida feita de nada e um enorme pedaço de merda a surgir.
Ah espera, isso sou eu.
Mas deixa-te estar aí, acho que nunca te amei tanto, quando ficas aí e não me ouves mais, sentado a interromper cada frase minha para contares cada vivência tua. Nunca amei tanto cada poro teu, da tua mente hiperactiva e as vezes tão dramática.
Mas ouve amor, agora que não me ouves, senta-te aí, eu vim aqui hoje a sorrir, porque nunca te amei tanto. E vim hoje aqui, porque sou sempre pequena no seu olhar e já que contas isso, ouve enquanto não falo, eu vou desistir de mim esta noite.

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