Ora diz-me, de que são feitas as casas vó?
E tu dirias no teu tom mais leviano: "são sonhos filha, são sonhos."Ou terei imaginado?
"Reza agora comigo. Anjos da guarda minha companhia olhem por mim de noite e de dia".
E deitavas-me na cama, no aconchegar do lençóis que nunca combinavam porque na tua mente, nada do que é igual ficaria bem. O lençol rosa ficava certamente melhor se o de baixo fosse azul. Não haveria argumento para discussão, seria assim e pronto.
Vó. Gostava das rosas do teu jardim e do cheiro a pão acabado de sair do forno, gostava do choque das tuas mãos e do cheiro das manhãs quando a geada ainda se via no campo. E tu gritavas " não vas para a terra, sujas me a casa toda".
Vó, gosto das manhãs em que acordava e cheirava ao café, dos dias da véspera do natal, gostava do som da tv enquanto se adormecia no quarto e de quando a tua voz se ouvia por toda a casa num ralhar com pesar.
Mas vó, gostava das rosas do teu jardim e de a ver tratar delas com o amor maior que o mundo jamais sentiu.
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