Sentei-me no chão. Acabou, não acabou? De facto, não devo trazer no código genético a palavra predefinida que nos torna algo estúpido. Ou então sou estúpida e apenas não nasci para amar.
Não nasci para o amor. Digo e cito as vezes necessárias.
-Mas a menina chora?
-claro que não, chorar para que? Por um bando de gente que me pôs em 2 grau, que falou e amou tanto que agora nem aqui está. Ora onde já se viu chorar? Se chorar choro pela raiva das horas perdidas onde gastei todo o amor.
- o amor não se esgota.
- não se esgota. Mas eu sou finita, o amor não se esgota. Mas eu sou esquecida, o amor não se esgota. Mas eu nada mais que eu sou dona do tempo, do tempo que passa, que deixei, que vivo e viverei. O amor não se esgota mas eu esgotar-me-ei.
- a menina não pense assim. O amor não se esgota.
- eu sei, eu sei. Mas não irei chorar sabes? Não irei. Tu melhor que eu sabes. Há o orgulho ines, o orgulho. O orgulho é maior que tudo, maior que todos. Magoaram-nos mas não nos podemos dar de fraco não é? O amor não acaba mas nos devíamos acabar com ele.
- sabe qual é o seu problema menina? Trazer em sim todo o amor do mundo.
- não, ela deu-me todo amor do mundo. Esse sim é o problema. Serei sempre este ser, sem saber que ser sou. Afinal o amor não se esgota e o amor que ela me deu também não.
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