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A minha avó é a mulher. É a mulher gasta, quebrada, velha e irritada. É a mulher meiga, sensível, inocente e destemida. Faz do tempo o esgotado, do nada o mais doce, e do usado o renovado. Faz da vontade o motor do seu dia, puxado a cavalos pequeninos de força vã, sem nada que a leve mais depressa. A minha avó não ouve tudo, mas ouve o que lhe interessa. Ouve as gargalhadas que somos, as lágrimas que caímos, as vontades que fazemos e os lamentos que pedimos. Mas já não ouve o coração. Ouve as memórias, a saudade, tudo o que passou."
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