3.11.15

Sonhos tremidos

  Tens os sonhos nas mãos. Na voz a doçura dos anos e o cansaço dos tempos. Tens a alma cheia de cores e vidas que por ti passaram e decidiste carregar e nem assim as tuas costas vergaram. Os teus medos nunca os vi, escutei às vezes nos murmúrios baixinhos o quanto o mundo te magoava, o quanto o sol de inverno te encantava. Vi e perdi a conta às pessoas que por aquela porta entraram e que hoje já não voltaram.

  Eu sei, este quarto já não é o teu, não tem o teu cheiro,  a tua desarrumação, não tem os retratos dos teus e até dos outros. Não soas a ti neste quarto tom de limão,  onde as ranhuras da parede nada te contam. Não foi lá que cresci e que caí. Sei também que esqueceste o que não querias esquecer e que lembras o que sempre quiseste guardar. Tens em ti sonhos de vidas que já viveste, de mundos que alcançaste. És o ser dos seres, o amor dos amores. Obrigada.

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