22.4.16

6 de Abril. Diário de alguém

Não consigo escrever. Não consigo sequer descrever as vontades que me movem, os dias que me fazem querer ficar, as noites que me fazem querer te deixar. São anos a decorar cada parte de ti, a amar um só ser, a saber fugir, a saber esconder, a saber ser miúda que sou. A que não chora, a que volta, a que não quis ficar. A que achou que haveria passado no futuro. Sou o sol de todas as manhãs de verão, sou o campo, o som do nada, a tua melodia de bossa nova, o teu olhar de esguelha quando adormeço. Sou uma vida em ti, a que não deixas mas que não queres viver.
Sou planos, roupa da cama, casa temporária.  Sou aquele de quem te ris, que usaram e abusaram, que perderam sem nunca ganhar. Sou a que amaste sem nunca o querer.
Espero um dia ser o que não fui. A que foi.

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