Quero lamentar. Quero lamentar não me ter tornado bailarina, que os meus dedos de pianista teimem em não tocar. Quero lamentar não ter sido artista quando me perdia a desenhar, que não tenha sido escuteira, que a natação não seja mais uma paixão. Quero lamentar as palavras que rasguei por paixões, com raiva no peito e lágrimas nos olhos. Quero lamentar as palavras más que me saíram da boca e as vezes que pensei desistir.
Não voei alto, vó.
Não me deixei crescer para além da imensidão do teu quintal pequeno, das ervas do campo e da areia nos sapatos.
Não me deixei ser menos dona de mim, pelas vezes que te disse que não e que engoli sentimentos para puder ser maior.
Quero lamentar a quantidade de maldades que fiz mas não quero lamentar as vezes que te fiz rir.
Tinhas o riso mais bonito e a gargalhada mais sonora. Eras a minha alma pequena e o Porto mais seguro.
Lamento as flores que não pus e as vezes que não te visito onde te deitámos. É que me ensinaste que os amores são para sempre. E tu és.
27.11.18
Lamentos pequenos
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