24.1.19

Fascículos

Criei fascículos. Coleções e artes nas dobras da porta quando as empurro para longe de mim. Deixei desgastadas pelo tempo as cicatrizes que escondo nos braços e as que afogo no peito. Hoje não é o dia e esse dia não é amanhã.
Somos filhos de amores estragados e de peitos rasgados. Secretismos puros como a melodia de bossa Nova que me toca na cabeça enquanto te vejo chegar. És samba de Orfeu.
A edição já não é limitada e a história continua a mesma. Senti amor algures nos anos que agora vejo não terem sido meus.
Senti ódios nos poros cansados da pele e das lágrimas saturadas que não choro mais. És tão bonito.
E eu aqui espectadora de amores impunes. Desejando amores que vão e que não voltam. Obrigada por teres sido abrigo quando perdi casa.
Obrigada pela dor que me fez sentir que para além daqui já não sou mais eu.

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