Vó. Não fui melhor. O mundo não me deixou carregar nos ombros o peso dos filhos dos outros. Não soube dar de mim aquilo que recebi de ti. Nem soube-me deitar no mar a sentir-te mais perto.
Quis amar carochinha. Quis ser amor nas moradas escondidas de braços alheios aos teus. Ninguém me ensinou que existe cedências tolas da mente e do corpo por razões sem investigação.
Ninguém ensinou que não fazia mal pedir colo nas horas erradas e que afinal não temos um colo á espera sentado ao sol perto da porta com um chapéu de palha. Não vi sequer campos de rosas e Jasmim quando me deitei hoje a pensar que podia morrer só um bocadinho. Talvez voltasse aí, ao tempo em que dar amor tinha cheiro doce de risos e lágrimas.
Talvez voltasses a casa. E eu ia-me rir de ti só para não me veres chorar.
Amo-te milhões. Até breve.
21.3.19
Milésima carta ao céu
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