São ao compasso, estes sons ardentes que circulam pelo ar. Seguem sem falhas o ritmo rápido do teu peito, sem qualquer desvio. Um milésimo de segundo exagerado era fatal, um choque dado e caminhado para a morte. Seria um fim, um pequeno gesto fracassado pela desistência de um suster redimido ao passado. Por isso inspiro fundo, inalo o teu perfume penetrante e suave que se alojou nos poros da tua pele, que me vão doando em cada beijo num toque leve dos meus lábios, a tua alma.
Remeto em cada canto parte de mim, na garantia de me ofereceres o oxigénio que apenas o teu corpo possui. São milhares de átomos e moléculas explodindo e multiplicando-se em dezenas de fascínios, centenas de misturas moleculares que permitem vida neste meu mundo, completo de substâncias desconhecidas e delirantes onde cores são aguarelas, que se formaram com as cores das nossas almas e com lágrimas de pequenas trapaças do destino.
E somos feitos de partículas minúsculas, quase inteiramente inexistentes, invisíveis ao nosso alcance mas que com a atracção se juntaram, em forças, e nos formaram numa obra de arte jamais contemplada. Os teus sentimentos, são desta forma, átomos que com os meus formaram moléculas e criaram o ar e a sobrevivência, que iremos respirar sem nunca falhar, numa tentativa obrigatória de alcançar o que não agarramos.
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