Amanha. Disseste.
Amanha, pode ser tarde. Amanha, posso já não ver pirilampos no teu corpo, posso já não ver sonhos nos teus olhos. Posso perder, amanha o amor, a voz, os sentimentos, a sensibilidade das mãos, o som quente das tuas palavras.
Amanha, posso não ver os círculos laranjas e vermelhos, de quando me encosto a ti virada para o sol. Amanha, posso não ver magia no teu beijo, posso não encontrar saudade no teu trejeito, posso não encontrar imensidão no teu amor.
Amanha, poderei fugir de ti. Poderei adormecer eternamente nos sonhos, poderei afogar-me nas ondas traiçoeiras do teu cabelo.
Amanha, posso não saber respirar, posso não saber caminhar, posso não saber dar-te a mão.
Hoje, posso sorrir para ti, abraçar-te enquanto não chove, fugir para te apanhar. Hoje, ainda posso olhar, falar e dizer-te que amanha pode ser tarde demais.

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