Tentação. Poderia usar as palavras para te impedir, elas não saem. Poderia usar as mãos para te afastar do meu corpo, elas não querem, estão sem força. Poderia expelir o teu corpo e afastar o meu, porem este renúncia. Poderia fugir, as pernas não se mexem.
Poderia sim, mas não posso. É como negar neste momento, tardio, deus á cruz, é como te dizer que amanhã já passou e que de facto, o que existe não é terra. Antónimos impossíveis, como negar-me perante ti.
Fiz do meu corpo a tua casa, escondi-me gentilmente debaixo da tua pele e amei-te num jeitinho manso como o nosso amor, aquele que me davas e que já me deste. Por mais que tente, és um anjo de morte, o meu triste pecado ligado aos que não quero perder. Já não há amor, admito. Mas diz-me lá isso! Diz-me que não é amor aquilo que te dou quando de repente desisto e dou-te o inicio de nós, não haverá fim desta forma. Seremos para sempre a morte um do outro, infalível e dolorosa.
Por isso, desiste. Essa bebedeira tem cura, essa dor será esquecida e as feridas, elas fecham. Poderás dizer, que nada serve o que te digo, repetir o velho ditado, dizer que fui feita para ti e que jamais te esqueceras de mim. Mas já me esqueces-te.
Ainda ontem, adormeceste sem mim. Ainda ontem não lembras-te as minhas palavras, as minhas mãos, o meu corpo e as minhas pernas. Ainda ontem eles eram livres. Tu já esqueces-te. Deixa-me esquecer também.
Para nós, o amanha já foi.

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