24.11.11

As vezes, julgava-me bailarina, quando me colocavas por cima dos teus pés e fazias-me dançar ao som de músicas que, hoje, decorei. Achava que não havia melhor, do que tocar no teu rosto já velho e cansado sem perceber que mal haverias tu feito ao mundo para ele te deixar assim.
E amei muita gente, ou direi mais corretamente, pouca porque foram desaparecendo e virando as costas, nas alturas em que os deixava entrar neste nosso mundo tao bonitinho. Amei assim, os rostos tristes e cansados mas ainda sorridentes daqueles que passeio, caminhando lentamente, de braço dado.
Meteu-me medo, ver que já não cabia no teu colo, que já não podia usar os vestidos que fazias para mim ou passear pelo parque, que infelizmente, já nem eu sei por onde se situa. Direi que foi os anos, talvez, que nos levaram a paz, que te trouxeram mais dor do que aquela que já carregavas e te obrigava a sentar de vez em quando.
Não sei quem deveria culpar, ainda hoje não sei quem posso culpar. Quem saberá? O teu deus ham? Porque tanto lhe pedes e tanto lhe ofereces, porem ele nada te dá. Não sei, meu anjo. Não sei…
Mas mete-me medo e querer esconder dentro do armário, quando te vejo a chorar, a lamentar não veres a vida e eu sem hipóteses de te a mostrar. Então digo “poupa-me” porque sei que não posso chorar, tenho que te mostrar essa parte de mim para não cair e ajoelhar-me a teu lado sem saber, a seguir, como me levantar.
Lamento, meu anjo, mas se um dia partires. Não irei apenas cair como irei falhar e viver num rastejo permanente.

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