Fomos egoístas, enquanto o mundo combatia nós brincávamos na paz dos seres, vendo estrelinhas nas noites e não reparando nos fogos e feridos que caminhavam nas estradas ao lado da nossa casa. Falávamos de amor, num termo e definição que o mundo desconhecia mas preferia conhecer e nós, falávamos como se isso existisse, essa definição em violeta e púrpura com reflexos dourados de sonhos.
Fomos egoístas amor, à medida que saltávamos os rios de mãos dadas e os barcos se afundavam no mar, quando as tempestades vinham e faziam as cheias inundar as almas, nós chapinhávamos nas poças pequenas com as nossas botas de plástico verde. Fazíamos a liberdade à medida de abraços, éramos guerreiros na nossa luta contra o ar enquanto homens lutavam por nós mesmo por detrás dos nossos corpos. Criávamos pequenos passarinhos com beijinhos irrequietos e com sabor a chocolate mas a vida era amarga e cheia de vícios pouco doces.
Fomos cegos e hoje, enquanto o mundo lá fora caí, eu fecho-me na nossa casa. Neste mar de sete paredes cor de jasmim onde fizemos de ti o rei e de mim rainha. E ninguém me disse que o nosso coração era feito de vidro, que se estilhaçava como a porcelana do nosso serviço de chá e que hoje, sairia pela porta e caminharia com os feridos que passam na nossa rua.

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