1.11.11

o teu pedido:

Gosto de te sentir aqui, num sentimento resguardado junto ao peito saltitante, entre o calor dos lençóis e o frio húmido do quarto. Onde as palavras de nada servem como quebra de fascínios, o sentir tornou-se, por isso, mais útil que a poesia lida em noites onde o chegar dos olhos bastava.

Hoje não chega.

Gosto do sentir e necessito desse passar de beijos quentes e traiçoeiros, desse misto de sons que o teu corpo faz e que apenas no som mudo das palavras consigo ouvir. São sons e pequenas melodias (fascinantes ate) coladas ao teu respirar, á tua palpitação e suspiros longos, cada vez que algo quer sair da formação frásica mas não é suficiente para a sua construção.

E então, falas por beijos, enches-me deles e do passar inquieto das tuas mãos e dos teus olhos, aqueles que nunca soube ler á medida que decifravas os meus, em achares grandiosos e gratificantes. Vias-me neles, nessa visão que perfurava a minha. Porem não me chegava, tal como as palavras não chegam. Queria o sentir e a ti bastava-te os olhos, as palavras e então pedias que dissesse, que fala-se usando os nomes e me expressa-se em notas altas usando a voz.

Sou muda, amor. As minhas palavras não sabem falar de sentimentos, são mudas e o meu amor também.




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