4.12.11

o mundo e tu:

Cai como muitas outras vezes, nas palavras presas e soltas que circulam pelo ar que ambos respiramos. Contei-te e mostrei-te as cicatrizes do meu corpo, disse-te, enquanto o teu dedo passava por cima dessas feridas, que todas as minhas quedas haveriam valido a pena. Que aprendi a sobreviver com elas e a suporta-las no meu corpo, no meu peito e na minha alma.
Deixei-te decorar cada pormenor do meu sensível ser, deixei-te com os braços descaídos sobre o corpo que me despisses, num acto lento e aconchegado, a armadura que criei em ferro e latão, à volta do meu triste coração e cheio de fístulas que durante a noite abrem e teimam em magoar. Disse-te, num segredo audível, que te amava.
Hoje, quando a noite chega, quando os braços que me doas, me rodeiam o corpo eu sei, apenas porque a mente e o corpo dizem, que haverá uma parede neste percurso, que irei esbarrar nela e magoar-me. Irei, sem sombra de dúvida, magoar o corpo e tudo mais. E sei, apenas porque conheço-te bem, que quando cair não estarás lá e terei de me levantar, mais uma vez com o corpo esfolado, sozinha.
E o meu pecado será de facto, correr e saltar para o teu colo porque apesar da tua ausência. Continuarei cega, alada e impotente se não possuir como calmante o calor que o teu falso amor me oferece.
p.s: para aqueles que amam, aqueles que lutam, aqueles que sofrem e mantém um sorriso na cara.

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