Meti-me entre os medos, sorria. Sabia as horas, sabia os passos e era tudo previsível. Sabia de cor quando ias chegar.
Assim, ia preparando o mundo para a tua chegada, o teu retorno estonteante de saltos vulgares e vulneráveis. Levei-te carregado junto aos sonhos, amei-te.
Eu, sempre fechada entre os muros e fortalezas, deixando o mundo cair morto e cinzento sobre os meus pés. Estava, agora a dar cores as nossas paredes, ao nosso lar… a reconstruir pela milésima vez as paredes e o teto, a tornar o meu sonho acolhedor.
Dei-te estupidamente, as minhas palavras que guardei como tesouro. Dei-te o brilho dos meus olhos, o sorriso raro dos meus lábios porque me fizeste acreditar nas histórias que nos contavam em pequenos. Aquela em que crescemos a sonhar…
Tornei-me corajosa, aprendi a ser alguém e a dar algo a mais. Fui alguém, longe de mim.
Hoje, o cinzento permanece mas as cores serão difíceis de esquecer. Porque, infelizmente, espero a tua chegada mesmo sabendo que a estadia é breve.

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