17.2.13

puro receio:


Saberás por ti, nesse caminho lento que persegues, onde corres e esfolas os joelhos por esse pavimento rochoso, que a tua alma jamais será livre.
E nada irá mudar.
Conseguiste o mundo, conseguiste expressar as palavras mudas e inúmeras de um fundo que vive em ti. Alcançaste destrezas e imunidades a sentimentos que sabes, possuir. Viraste a rocha que te esfolou o joelho e obrigou-te a superar, nada te dói. Nada impede-te. És alguém, porque tornaram-te assim.
Sabes quem és?
Ri-te, por enquanto ri-te. O sarcasmo da resposta faz eco na tua cabeça. Não vale de nada esse espelho humano, onde todos criticam e valorizam e sentem, tão fortemente, por algo que amanhã ao acordar nem, cujo nome, vão lembrar.
Ora eles, não sabem. Tu próprio não sabes. És o medo imenso, és o escuro, o silêncio e o sarcasmo que te invade os poros. És o teu próprio medo, a tua própria corrente. E sabes, por entre o sangue que te escorre, que jamais ele te deixará ser livre.

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