5.2.15

Perdoar-me:

Podias ter-te levantado uma hora mais cedo e no entanto, não te levantaste. Sinto daqui o cheiro que a morte trás, bem perto, que se torna quase  infalível ao olfacto humano. Porém acho-lhe doce, relembra-me o cheiro leve da primavera com aquela brisa meio quente de quem carrega em si as purezas das flores que nascem sem ordem do homem. 
Torna-se então, num cheiro incontrolavel devido a impotência do homem como ser na acção da morte. 
Diria também que se torna um tanto aconchegável. Torna-se leve à alma apesar do peso que carrego junto das têmporas.
Meu amor, podias ter-te levantado só um minuto mais cedo e no entanto, não te levantaste.
A morte trás assim, a demora do teu atraso e o desgosto pressentido no peito de uma alma que grita basta. Sente-se o mar e ao sentir, o amor. Recordo-me como queria que tudo passasse bem rápido, todas aquelas horas em que podias ter-te levantado mais cedo e aquele minuto. 
Meu amor
Por fim chegas, a tua chegada leva contigo tudo aquilo que parecia tornar-se doloroso de uma forma apaziguada. Quando voltas trazes-me sempre o atraso das horas mas sempre com a paz dos dias.
E assim, sem medos do tempo que passou, perdou-me. Quem sabe não me vá perdoando por ti.

Sem comentários:

Enviar um comentário

cenas: