3.12.19

cacos e resguardos

Fintei o milésimo de segundo, da última vez que te fiz rir. Não sabia que novembro ia ser tão opaco nos momentos em que o vivi e a tua data de aniversário passou nos instantes como se ninguém se recordasse mais. Fizeste anos, parabéns. Não te fui visitar porque o amor não permitiu e soa caricato. Mas o amor não permitiu ver-te exposta em pedra e letras douradas. 
O amor é isto vó, esta inegável vontade de te sentir antes de saber ficar ou saber ser. 
Acho que não sei ser e que a solidão dos dias só ataca e mata. Distribuir amor não me veio nos genes e destruir amores é me inato. 
Não me ensinaram que amor vem nas pontas dos dedos ou do fundo do olhar. Que o básico é mais bonito que o gesto cansado do clichê. Gostava de te contar vó, que não sou melhor a antes mas não sou pior.  E que encontrei sentido na mágoa que impingi a mim. Na esperança de um dia ser o colo de alguém como foste o meu. 
És o meu maior amor. Até já. 

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