20.1.20

contos dos reprimidos

Há na aragem do dia, um cheiro a terra acabada de lavrar. Os dias são contados pelos maços de cigarro que vou acumulando no bolso do casaco e pelas vezes que me deixei ficar estendida na eminência da minha existência. 
Há um traço fino, por vezes transparente, sobre aquilo que considero existir e sobreviver. As saudades que carrego no peito, tornam o nebulado da manhã um misto de pós guerra com a sensação de, finalmente, chegar a casa. 
No entanto, há sempre o pós. A perturbação de quem não sabe mais estar ou pertencer aos cantos que viu serem criados, o mundo foi-se moldando na pontas dos nossos dedos mas nunca ao nosso tamanho.
Vi-me pianista nos universos paralelos que criei na beira da cama e vi-me ser morte nos limites do meu histerismo.
Quando for primavera e no teu jardim romper a primeira hortênsia. Serei eu novamente, porque casa é onde morou um pedaço de ti. E o jardim, é a casa do teu amor. 

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